Os efeitos e os desdobramentos do fenômeno El Niño nos padrões climáticos foram os temas centrais da entrevista concedida pela climatologista e pesquisadora do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Francis Lacerda, à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Durante a conversa, a pesquisadora explicou as dinâmicas atmosféricas causadas pelo fenômeno e os desafios que elas impõem, ressaltando a relevância do monitoramento climático para o entendimento e o enfrentamento dessas variações.
Evento realizado na última sexta-feira (29/05) serviu como experiência piloto para o AgriFam Show, previsto para 2027
A ciência aplicada às demandas reais do campo foi o foco do evento “Ciência no Semiárido: Estratégias Sustentáveis de Produção de Forragens — do Laboratório para o Campo”, realizado na última sexta-feira, 29 de maio, pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa (PROPESQ). A iniciativa, que reforçou a integração entre pesquisa acadêmica e setor produtivo, contou com a parceria estratégica do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e do SENAR-PE.
O encontro reuniu um público diversificado composto por pesquisadores, estudantes, técnicos e profissionais do agronegócio, fomentando a troca de conhecimentos técnicos sobre o manejo e a produção de forragens em regiões áridas. Para o IPA, a participação em eventos desta natureza é fundamental para aproximar as tecnologias desenvolvidas em laboratório das necessidades cotidianas dos produtores rurais, promovendo o desenvolvimento sustentável do Semiárido brasileiro.
Integração e Futuro Além de fortalecer o diálogo entre academia e extensão rural, o evento teve um caráter prospectivo. A atividade funcionou como uma experiência piloto para o AgriFam Show, um grande evento institucional já planejado para maio de 2027. A meta é que, a partir de agora, iniciativas de popularização da ciência e difusão tecnológica ganhem escala, consolidando a integração entre as instituições parceiras.
O sucesso da organização contou com o empenho técnico e logístico de discentes da graduação e pós-graduação da UFRPE, além da equipe de terceirizados da instituição.
O evento foi prestigiado por diversas autoridades e especialistas, entre eles o Pró-Reitor de Pesquisa da UFRPE, Prof. Thieres Silva (representando a Reitoria); o Prof. José Geraldo Eugênio (UFRPE); o Dr. Pedro Mouzinho (SENAR-PE); o Prof. Adriano, Diretor da UAST, e a Profa. Neilza Castro; além do agrônomo Bruno (Hélix), pesquisadores do IPA, técnicos do SENAR-PE e estudantes da UAST/UFRPE e da Faculdade CEVASF.
Nascido no Sertão do São Francisco, o Berganês é muito mais que uma raça ovina: é um patrimônio genético, científico, econômico e cultural construído ao longo de mais de 40 anos por criadores, pesquisadores e instituições comprometidas com o desenvolvimento do Semiárido.
Conhecido como o “Carneiro Boi”, o Berganês se destaca pelo seu porte, rusticidade, adaptação ao clima semiárido e pela extraordinária qualidade da carne, reconhecida pelo elevado marmoreio, maciez, suculência e sabor. Características que vêm conquistando consumidores, frigoríficos e chefs de cozinha de todo o país.
Hoje, a raça já reúne cerca de 2.648 animais distribuídos em 12 estados brasileiros e envolve 98 criadores. Somente em Dormentes, berço do Berganês, a atividade movimenta mais de R$ 24 milhões por ano, gerando emprego, renda e fortalecendo a economia rural.
O reconhecimento oficial pelo Ministério da Agricultura representa um marco histórico para Pernambuco. Além de preservar um patrimônio genético genuinamente sertanejo, a homologação valorizou os animais, que passaram a alcançar preços até três vezes maiores que os praticados anteriormente.
A trajetória do Berganês teve início com o trabalho pioneiro do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e ganhou força através das pesquisas coordenadas pelo Dr. Paulo Alves Nogueira Filho, em parceria com o IF Sertão-PE, sob a liderança do professor Dr. João Bandeira de Moura Neto, resultando em dezenas de TCCs, dissertações, teses e artigos científicos que consolidaram uma das maiores bases de conhecimento sobre uma raça ovina desenvolvida no Semiárido brasileiro.
O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca (SDA), também contribuiu decisivamente para essa conquista, investindo R$ 195.470,00 na estruturação do controle genealógico e no fortalecimento institucional da raça.
O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) recebeu um importante reconhecimento em nível estadual por sua trajetória histórica. A Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) lançou a 16ª edição da Revista Inovação & Desenvolvimento e incluiu, como um dos seus grandes destaques, uma homenagem especial dedicada aos 90 anos de fundação do IPA.
A publicação da Facepe reconhece e celebra a contribuição histórica do Instituto para a produção de conhecimento científico, para o fomento à inovação no campo e para o desenvolvimento sustentável do Semiárido pernambucano ao longo de quase um século de atuação na extensão rural e na pesquisa.
Ciência, Sociedade e Meio Ambiente
Trazendo como tema central a relação entre ciência, sociedade e oceanos, a nova edição da revista convida o leitor a refletir sobre o equilíbrio climático e a preservação ambiental. Além da homenagem ao IPA, a edição aborda o conceito de cultura oceânica, destacando estudos sobre microplásticos e dinâmica oceânica desenvolvidos pelo Museu de Oceanografia da UFPE.
Outro ponto alto da publicação é a entrevista com o oceanógrafo Moacyr Araújo sobre pesquisas no Oceano Austral que afetam o clima da América do Sul, além de um artigo assinado pela professora Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão (UFRPE), que joga luz sobre o cotidiano de mulheres pescadoras e marisqueiras e a valorização dos saberes tradicionais nas comunidades costeiras.
História que projeta o futuro
Para o IPA, figurar na Revista Inovação & Desenvolvimento ao lado de discussões científicas tão urgentes reforça o papel do Instituto na vanguarda do desenvolvimento de Pernambuco. A homenagem chancela o esforço diário de pesquisadores, extensionistas e do corpo administrativo que transformam a ciência em dignidade e segurança alimentar para o homem e a mulher do campo.
RECIFE / MINAS GERAIS – O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) marcou presença de destaque na 4ª edição do Palmatech, evento técnico-científico realizado entre os dias 4 e 7 de maio, em Janaúba e Nova Porteirinha, no Norte de Minas Gerais. O evento, que integra o III Simpósio Mineiro sobre Palma (Simpalma), é consolidado como um dos principais fóruns de difusão tecnológica para o Semiárido brasileiro.
O IPA foi representado pelo pesquisador Dr. Djalma Cordeiro, que contribuiu com a programação através de palestras técnicas e apresentações de resultados de campo, reforçando o protagonismo de Pernambuco no desenvolvimento de tecnologias para a convivência com a seca.
Ciência e Extensão no Campo
Durante o seminário, realizado no auditório da Epamig, Djalma Cordeiro apresentou palestras detalhando os avanços institucionais e resultados de pesquisas recentes conduzidas pelo IPA. Além da parte teórica, o pesquisador participou ativamente do Dia de Campo, realizado no Campo Experimental do Gorutuba (Epamig Norte).
Em uma das estações temáticas, Cordeiro apresentou aos produtores e técnicos da região a coleção de palma forrageira cedida pelo IPA à Epamig. Este banco de germoplasma, composto por 25 materiais genéticos diferentes, está implantado em Minas Gerais desde 2017 e serve como base para estudos de introdução e adaptação de novas variedades.
“Participamos como palestrantes e apresentadores de resultados de pesquisa. No campo, pudemos falar sobre essa coleção de 25 materiais que o IPA cedeu há quase dez anos, explicando a importância da diversidade genética para a segurança do rebanho e a produtividade no Semiárido”, destacou o pesquisador.
Integração Regional
A participação do IPA no Palmatech 2026 reafirma a importância das parcerias institucionais entre o Instituto e órgãos como a Epamig, o IF Baiano e universidades federais. O evento abordou temas cruciais como manejo nutricional, eficiência hídrica e alternativas para sistemas produtivos resilientes, focando especialmente nos pequenos produtores rurais e na agricultura familiar.
O uso de bioinsumos e o melhoramento genético da palma — cultura que é o “esteio” da pecuária nordestina — continuam sendo prioridades na agenda de pesquisa do IPA, que busca constantemente levar as inovações laboratoriais para a prática do homem do campo.
Sobre o Evento O Palmatech 2026 reuniu as maiores autoridades no assunto, incluindo representantes do Insa, Senar, Emater-MG e diversas universidades. Esta edição presencial consolidou o evento como um espaço vital para o intercâmbio de soluções tecnológicas que visam reduzir os custos de produção e aumentar a sustentabilidade no agronegócio regional.
CHÃ GRANDE – A busca por produtividade aliada à sustentabilidade foi o tema central da palestra sobre tecnologia e bioinsumos realizada nesta quarta-feira, no auditório da Escola XV de Março. O evento, promovido pela Secretaria Municipal de Agricultura em parceria com o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), reuniu agricultores, estudantes e especialistas da Zona da Mata.
A iniciativa focou no uso de tecnologias aplicadas à produção de hortifrúti, apresentando alternativas sustentáveis e de baixo custo para o fortalecimento da agricultura familiar. Durante o encontro, o pesquisador do IPA, Júlio Mesquita, destacou que o objetivo principal é democratizar o acesso à ciência.
“Nossa proposta é aproximar os pequenos produtores de tecnologias que, muitas vezes, ficam restritas aos grandes laboratórios. O projeto em Chã Grande servirá como uma experiência piloto para a implantação de unidades demonstrativas nas propriedades locais”, explicou o pesquisador.
Ciência aplicada ao roçado
Com as unidades demonstrativas, os agricultores poderão acompanhar, na prática, os resultados do uso de bioinsumos — uma tendência que cresce no agronegócio por reduzir custos de produção e minimizar impactos ambientais. O agricultor Sebastião Ramos, do sítio Valados, participou do evento atento às novidades para o seu cultivo de graviola. “Eventos assim ajudam a gente a conhecer soluções que aumentam a qualidade e o rendimento da nossa colheita”, afirmou.
O secretário de Agricultura de Chã Grande, Joseildo Martins, reforçou que o diálogo entre pesquisadores e produtores é essencial para acelerar a solução de problemas nas plantações. A expectativa é que, a partir desta parceria com o IPA, as ações de capacitação sejam ampliadas, garantindo que a inovação tecnológica se transforme em renda e segurança alimentar para as famílias chã-grandenses.
O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) reforça sua atuação no suporte técnico ao homem do campo com uma importante palestra técnica na cidade de Chã Grande. O evento, realizado em parceria com a Secretaria de Agricultura local e o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, acontece na próxima quarta-feira, dia 06 de maio.
O pesquisador do IPA, Júlio Mesquita, será um dos palestrantes principais, abordando o “Uso de Tecnologias e Bioinsumos na Produção de Frutas e Hortaliças”. O objetivo é apresentar soluções inovadoras e práticas sustentáveis que otimizem a produtividade agrícola da região, respeitando o meio ambiente e reduzindo custos de produção para o pequeno e médio produtor.
A programação terá início às 08h30, no auditório da Escola Municipal XV de Março. Além da participação do IPA, o evento contará com a presença de Roberto Neto, representante da Fertiglobal, promovendo um intercâmbio de conhecimentos entre a pesquisa pública e o setor técnico-produtivo.
A ação faz parte do compromisso contínuo do IPA em levar ciência e inovação tecnológica diretamente para os polos produtivos de Pernambuco.
RECIFE – O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) deu um passo fundamental para o fortalecimento da agricultura familiar e a preservação da biodiversidade agrícola no estado. Na última sexta-feira, 17 de abril, o Instituto recebeu um grupo de representantes da sociedade civil e de coletivos dedicados à preservação de sementes tradicionais, também conhecidas como sementes crioulas.
O encontro teve como objetivo principal o alinhamento estratégico e o planejamento para viabilizar a distribuição dessas sementes dentro da programação oficial de sementes do Governo de Pernambuco. A iniciativa visa integrar as variedades tradicionais, adaptadas às condições locais e livres de transgenia, às políticas públicas de fomento à produção agrícola.
A reunião contou com a participação de membros importantes das diretorias do IPA, refletindo o caráter transversal e estratégico do tema. Estiveram presentes a Diretora de Administração e Finanças, Michele Mota; o Diretor de Pesquisa, Henrique Castelletti; e o Assistente da Diretoria de Extensão Rural, Maviael Fonseca. O encontro também contou com a presença de representantes do Núcleo Jurídico do Instituto.
Parceria para o Desenvolvimento Sustentável
O diálogo com a sociedade civil é fundamental para construir uma política pública mais inclusiva e sustentável. Para o IPA, a inclusão de sementes tradicionais no programa do Estado representa um passo importante para a valorização do saber tradicional dos agricultores familiares e para a garantia da segurança alimentar e nutricional em Pernambuco.
O processo ainda está em seus estágios iniciais de alinhamento técnico e jurídico para garantir a sua execução. No entanto, o encontro representa um marco na construção de uma agricultura mais forte e autônoma, em harmonia com as demandas do campo e da sociedade.
Nos dias 25 e 26 de março, o pesquisador do IPA, Dr. Sebastião Guido, participou de reuniões técnicas e de um workshop de avaliação de resultados do projeto de pesquisa em melhoramento genético de precisão – Edição Gênica de Bovinos para Tolerância ao Calor em Região de Clima Tropical, desenvolvido em parceria com a Embrapa Gado de Leite, a Embrapa Pecuária Sul e a Associação Brasileira de Angus, tendo apoio financeiro do CNPq.
Os encontros ocorreram na unidade da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), onde o coordenador do projeto, Dr. Luiz Sérgio Camargo (Embrapa), apresentou os avanços obtidos com a aplicação da técnica de edição gênica voltada para aumentar a tolerância ao calor em bovinos de raças taurinas de corte e leite.
A edição gênica é uma ferramenta de última geração que permite modificar genes com alta precisão, possibilitando a seleção de fenótipos desejados sem a necessidade de cruzamentos absorventes entre raças.
Em bovinos, mutações no gene do receptor de prolactina (PRLR) estão associadas ao fenótipo conhecido como “slick hair”, caracterizado por pelagem mais curta e menos densa, o que favorece a termotolerância. Esse fenótipo ocorre naturalmente em raças taurinas brasileiras adaptadas ao clima tropical, como Caracu, Pantaneiro, Mocho Nacional e Criolo Lageano. No entanto, está ausente em raças de alta produtividade, como a Angus (corte) e a Holandesa (leite), limitando seu desempenho em regiões de clima quente.
O projeto teve como objetivo principal aplicar a edição gênica em animais da raça Angus, visando a produção de bovinos mais tolerantes ao calor e, assim, possibilitar a expansão dessa raça para áreas tropicais.
O IPA contribuiu com a execução de subprojeto de prospecção de variantes genéticas associadas à tolerância ao calor em animais da raça Holandesa da Estação Experimental de São Bento do Una, reconhecidos localmente por sua maior adaptabilidade às altas temperaturas.
Diante dos resultados obtidos, o projeto seguirá em continuidade, fortalecendo a parceria entre as instituições envolvidas. O próximo passo será a validação da técnica de melhoramento de precisão e a prospecção de novos genes relacionados à adaptabilidade de raças taurinas para produção em regiões de clima quente.
Temas abordados no Workshop
“Biópsia embrionária para seleção genômica em bovinos”, palestra ministrada pela pesquisadora da Embrapa Gado de Leite, Dra. Clara Slade.
“Incremento da tolerância ao calor na raça Angus nacional por melhoramento de precisão”, ministrada por Dr. Luiz Sérgio Camargo da Embrapa Gado de Leite.
O Instituto Agronômico de Pernambuco celebra o lançamento do livro “Coco – do plantio à colheita”, obra publicada pela Editora da Universidade Federal de Viçosa (UFV), uma das mais respeitadas editoras acadêmicas do país. A publicação reúne conhecimentos técnicos atualizados sobre a cultura do coco e contou com a contribuição direta do IPA em sua elaboração.
A participação do Instituto se deu por meio do pesquisador Luiz Gonzaga Biones Ferraz, que colaborou na construção de capítulos da obra, reforçando o papel do IPA na produção e na difusão de conhecimento científico voltado ao fortalecimento da agricultura. A presença do Instituto em uma publicação editada pela UFV evidencia o reconhecimento nacional do trabalho técnico desenvolvido em Pernambuco.
O livro passa a integrar o acervo da Biblioteca do IPA, onde está disponível para consulta, ampliando o acesso de estudantes, pesquisadores, técnicos e produtores às informações qualificadas sobre o cultivo do coco. A iniciativa reafirma o compromisso do IPA com a pesquisa aplicada, a extensão rural e a disseminação de tecnologias que contribuem para o desenvolvimento sustentável do campo.